Para lá da linha lateral: Nikita Brõlin
O treinador estónio Nikita Brõlin faz um balanço da sua evolução entre o futebol interno e estágios em academias na Alemanha e na Ucrânia. Dos padrões exigentes lá fora ao trabalho em casa, Brõlin explica como a experiência internacional moldou a sua filosofia.
Até 30 de abril de 2026, Nikita era treinador-adjunto no Paide Linnameeskond, tendo deixado o clube pouco mais de um mês depois do arranque da época. Falámos com Brõlin sobre as razões que o levaram a tomar esta decisão. ‘Para mim foi um ano importante no meu desenvolvimento. Durante este ano ganhei experiência no futebol interno e também a nível internacional, já que nos qualificámos para a Conference League. Este ano passado no meu país teria significado mais se tivesse concluído uma época completa; assim teria sido mais fácil tirar conclusões mais concretas.’
Em Paide, Nikita enfrentou alguns desafios. ‘Na Estónia o futebol não é tão importante para as pessoas como noutros países onde é mais desenvolvido, por isso acho que isso influencia a tua perceção pessoal dentro do futebol.’ Falou também da necessidade de se adaptar a um novo contexto no balneário. ‘A equipa era mais experiente; na primeira época havia muitos jogadores com mais de 30 anos, o que mudou a dinâmica da preparação da equipa.’
Depois de um ano a trabalhar no Paide, Brõlin decidiu sair do clube. ‘A minha decisão de sair do clube foi influenciada pelo meu desejo pessoal de me manter honesto comigo próprio e de mostrar solidariedade com o treinador principal com quem cheguei ao clube.’
Antes de trabalhar no seu país, na Estónia, o técnico de 30 anos passou pelo estrangeiro em estágios em clubes como o Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, e o Borussia Monchengladbach, na Alemanha. ‘Se compararmos o futebol jovem na Estónia com o desses países, então não é uma comparação justa’, atirou Nikita.
‘É uma escala e um nível completamente diferentes; o ambiente nessas academias é, naturalmente, mais competitivo, agressivo e exigente. O detalhe e o profissionalismo no trabalho dos treinadores significam mais do que apenas ganhar ou perder.’
A possibilidade de ir ao estrangeiro para estágios de treino ajudou Nikita a tornar-se no treinador que é hoje. ‘Quando fui ao estrangeiro pela primeira vez, percebi que não sabia nada de futebol. Quando sais da Estónia, vês padrões elevados e exigências que são aplicadas aos funcionários dos clubes.’
No entanto, o atual selecionador da Estónia de sub-17 aprendeu a adaptar ao seu método de trabalho, em casa, aquilo que aprendeu lá fora. ‘Esta experiência internacional ajudou-me a perceber melhor como me ligar aos jogadores e como influenciá-los, mas tendo em conta a minha idade ainda há muito espaço para crescer.’
A fechar, Nikita falou-nos do seu sonho e do que quer para o futuro como treinador. ‘Quero voltar a trabalhar no estrangeiro; o meu objetivo a longo prazo é alcançar algo lá fora apesar de não ter o passaporte futebolístico mais forte. Quero ser um treinador estónio bem-sucedido a trabalhar internacionalmente.’
Movido pelas experiências na Estónia e pela Europa, Nikita Brõlin carrega agora uma ambição grande: provar que um treinador da Estónia pode construir uma carreira no estrangeiro e deixar marca no futebol mundial.