Terça-feira, 6 de outubro de 2026
Entrevistas

De olhos na Europa: Fabien Ourega sobre os tempos difíceis do Kauno Žalgiris, uma nova era e o sonho europeu

Por Titas Teiten

O futebol em Kaunas prepara-se para entrar numa nova era esta terça-feira. Depois de conquistar o campeonato da Lituânia, pela primeira vez na história do clube, na época passada, o FK Kauno Žalgiris vai estrear-se, finalmente, na UEFA Champions League. Apesar de uma campanha interna inesperadamente turbulenta até aqui, as expetativas mantêm-se elevadas. Em toda a Lituânia, os adeptos unem-se numa esperança: ver outro clube lituano chegar à fase de grupos das competições europeias.

Kaunas não é estranha a noites europeias memoráveis. Embora a cidade seja mais conhecida pela tradição no basquetebol, também viveu um período de sucesso assinalável no futebol durante os anos 2000, através do FBK Kaunas. Apesar de esse clube já não existir, o FK Kauno Žalgiris afirmou-se como o novo porta-estandarte da cidade e, talvez, a maior esperança do futebol lituano no palco internacional.

A conquista do título lituano em 2025 representou um passo importante para o clube, tanto em ambição desportiva como em credibilidade. Hoje, o FK Kauno Žalgiris é amplamente visto como uma das organizações desportivas com crescimento mais rápido e com uma gestão mais profissional na região báltica. Ainda assim, apesar desse progresso, a temporada de 2026 tem sido tudo menos tranquila. Em vez de dar seguimento ao sucesso do ano passado, o clube encontrou-se no meio de uma crise inesperada.

De início, tudo apontava no sentido certo. O Kauno Žalgiris conquistou a Supertaça da Lituânia e somou 22 pontos nas primeiras oito jornadas da TOPLYGA, com sinais claros de um campeão em título determinado a defender a coroa. Depois, o embalo desapareceu. Um empate frente ao Banga Gargždai, no início de maio, marcou o arranque de uma série negativa sem vitórias. Seguiram-se oito jogos consecutivos do campeonato sem triunfos, com cinco empates e três derrotas.

A má série de resultados acabou por levar a uma mudança importante no banco. Depois de mais uma derrota frente ao Banga Gargždai, a 17 de junho, o treinador principal Eivinas Černiauskas anunciou a saída, o que levou o clube a iniciar a procura por um novo técnico. Essa procura terminou com a contratação do experiente treinador croata Željko Sopić. A missão é clara: devolver o Kauno Žalgiris às vitórias e conduzir o clube a uma campanha europeia bem-sucedida.

Com o clube no terceiro lugar da TOPLYGA, com 28 pontos em 18 jogos, as atenções viram-se agora para o palco europeu. Na primeira pré-eliminatória da UEFA Champions League, o Kauno Žalgiris defronta o campeão do Kosovo, Drita, com a primeira mão em Kaunas, a 7 de julho, e a segunda em Gjilan, uma semana depois. O desafio será significativo. Na época passada, o Drita chegou à fase a eliminar da UEFA Conference League, algo que nenhum clube lituano conseguiu até hoje, antes de ser eliminado pelo NK Celje, que contou com os internacionais lituanos Artemijus Tutyškinas e Armandas Kučys.

Ainda assim, o Kauno Žalgiris tem razões para acreditar que a qualificação é possível. Ao contrário do Drita, que ainda está em pré-época e prepara-se com jogos de preparação, o campeão lituano já vai a meio da sua campanha interna e deverá beneficiar de maior ritmo competitivo. Com tanto em jogo, ultrapassar o primeiro obstáculo pode transformar as ambições europeias do clube numa oportunidade real.

Na antecâmara desta eliminatória histórica, falou com o extremo do Kauno Žalgiris, Fabien Ourega, que fez um balanço de uma temporada difícil, da chegada de um novo treinador e dos sonhos europeus que continuam bem vivos.

A vossa época tem sido feita de altos e baixos. Como jogador, como explica uma mudança de forma tão acentuada?

Não acho que exista uma razão principal que explique tudo. Depois dos primeiros jogos, que foram excelentes, acho que tirámos um pouco o pé do acelerador. Talvez tenhamos começado a acreditar que éramos melhores do que realmente éramos. Os adversários também tiveram mais tempo para analisar o nosso jogo e ficaram muito mais preparados para nos enfrentar. No geral, eu diria também que tivemos azar.

Como é que essa falta de sorte se refletiu nessa fase específica da época?

Honestamente, não sei. Quando olho para trás, para os nossos jogos, vejo que continuávamos a criar muitas oportunidades; a diferença é que, no início da época, estávamos a concretizá-las. Talvez tenha a ver com confiança. Quando ficas um jogo sem ganhar, depois outro, isso vai acumulando. Provavelmente apressámos demasiado as coisas e não fomos tão serenos na hora de finalizar.

Quando soube que o treinador Eivinas Černiauskas ia sair? Qual foi a sua primeira reação?

Vendo bem, isto é futebol. Quando os resultados não aparecem, normalmente quem paga primeiro é o treinador, não os jogadores. Foi o que aconteceu connosco. Não tenho muito mais a acrescentar. Foi uma decisão tomada pela direção do clube.

Que primeiras impressões tem do novo treinador? Já teve oportunidade de falar com ele? O que é que o marcou até agora?

Ele chegou há pouco tempo. Veio com as suas próprias ideias e acho que tem uma boa filosofia de futebol. Em termos de personalidade e carácter, é completamente diferente do treinador anterior. Um novo treinador traz sempre energia fresca ao grupo. Toda a gente volta a lutar pelo lugar nos treinos e sente-se claramente que há uma nova dinâmica no plantel.

Mudar de treinador mesmo antes dos jogos europeus pode dar um impulso à equipa ou torna a preparação mais difícil?

Só dá para saber quando se vêem os resultados. No geral, acho que pode dar energia nova à equipa. Um novo treinador é sempre positivo, porque toda a gente volta a lutar para conquistar o seu lugar. Para jogadores que não estavam a ter muitos minutos, pode ser uma oportunidade de mostrar serviço. Ao mesmo tempo, os titulares habituais também querem provar que merecem manter o lugar no onze. De certa forma, parece o começo de uma nova época.

O clube registou várias saídas e entradas nas últimas semanas. Sente que está a começar um novo ciclo?

Acho que as saídas já estavam planeadas e não tiveram relação com a chegada do novo treinador. Quanto às novas contratações, acredito que são jogadores de qualidade. Têm treinado connosco e estão a adaptar-se gradualmente. São o tipo de jogadores de que precisávamos para reforçar o plantel.

O seu antigo colega em Vilnius, Renan Oliveira, juntou-se ao clube. Como reagiu quando soube da notícia e que qualidades pode ele trazer à equipa?

Fiquei muito contente quando soube que ele vinha. É um jogador que já conheço bem e já tivemos sucesso juntos no passado. Traz experiência ao plantel e a sua qualidade em campo vai certamente ajudar-nos. É capaz de marcar golos e já o mostrou frente ao TransINVEST. É um tipo de jogador diferente do que tínhamos antes e acho que isso pode beneficiar bastante a equipa.

Na UEFA Champions League, vão defrontar o Drita, uma equipa que fez uma campanha europeia impressionante na época passada. Já começaram a analisá-los? Que tipo de desafio espera?

Conheço o clube por causa das recentes prestações na Europa. Mas não acho que seja a abordagem certa focarmo-nos totalmente nesse jogo já. Temos de ir passo a passo. Seja qual for o adversário, tem de se esperar um jogo difícil, porque continua a ser futebol de Champions League. Qualquer equipa a esse nível tem qualidade.

O que terá de ser diferente no vosso jogo para terem sucesso na Europa?

Acho que tudo se decide nos pequenos detalhes. A experiência é importante, mas no futebol também é preciso um pouco de sorte. As expetativas vão estar altas, por isso, se quisermos ir longe, teremos de estar ainda mais focados. Precisamos de ser eficazes quando as oportunidades aparecerem e também temos de ser sólidos a defender.

Começar a campanha europeia na Champions League dá-vos mais caminhos possíveis para continuarem nas competições europeias. Apesar das dificuldades que tiveram esta época, sente que é essencial garantir a qualificação para uma competição europeia?

Sem dúvida. É sempre melhor começar na Champions League porque dá mais oportunidades. O clube tem expetativas altas em relação a nós, jogadores, e vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para corresponder. Se passarmos a primeira eliminatória, acho que teremos uma grande oportunidade de fazer uma boa campanha europeia. Mas primeiro temos de jogar os jogos, e vamos dar tudo.

Que mensagem gostaria de deixar aos adeptos antes destes dois jogos europeus?

Quero dizer-lhes para virem ao estádio, porque estes não são jogos que este clube possa disputar todos os dias. Vai ser a primeira vez, na história do clube, que vamos jogar as pré-eliminatórias da Champions League. É um momento especial e vamos precisar dos nossos adeptos connosco. Conseguir um bom resultado em Kaunas será crucial, e o apoio deles pode fazer toda a diferença.