Lituânia acaba com jejum de 16 anos ou Estónia repete a conquista?
A Taça Báltica de 2026 chega ao fim na terça-feira, com a final e o jogo de atribuição do terceiro lugar a disputarem-se quase em simultâneo: a Lituânia procura terminar uma espera de 16 anos pelo troféu, enquanto a campeã em título Estónia quer manter a coroa.
A final será disputada na A. Le Coq Arena, em Tallinn, onde Estónia e Lituânia se reencontram, numa repetição da final da Taça Báltica de 2024. Há dois anos, as seleções empataram 1-1 em Kaunas, antes de a Estónia se impor no desempate por grandes penalidades para erguer o troféu. Mais cedo, na terça-feira, a Letónia recebe as Ilhas Faroé no LNK Sporta Parks, em Rīga, no jogo de atribuição do terceiro lugar.
Os dois finalistas chegaram lá após meias-finais muito equilibradas, no sábado. A Estónia bateu as Ilhas Faroé por 1-0 em Pärnu, graças a um golo na segunda parte do estreante Tony Varjund, enquanto a Lituânia superou a Letónia nos penáltis, após um empate 1-1 em Kaunas.
A Taça Báltica continua a ser o torneio internacional de futebol mais antigo da Europa disputado de forma contínua, tendo sido realizada pela primeira vez em 1928. A Letónia mantém-se como a nação mais titulada da competição, com 14 troféus, enquanto a Lituânia venceu dez vezes e a Estónia cinco.
Para a Lituânia, a terça-feira representa a oportunidade de, finalmente, terminar um jejum que dura desde 2010. Desde que levantou o troféu há dezasseis anos, os lituanos viram Letónia e Estónia somarem sucessos, ficando repetidamente aquém.
“Essa é uma estatística terrível”, admitiu o selecionador da Lituânia, Edgaras Jankauskas, na antevisão da final. “Queremos acabar com essa série o mais depressa possível e acredito que temos uma muito boa hipótese. Dezasseis anos sem ganhar o troféu e ser formalmente considerado a equipa mais fraca da região deve doer a cada jogador e a cada adepto.”
O antigo vencedor da UEFA Champions League tem sublinhado repetidamente que a Lituânia deve manter a calma, em vez de ficar obcecada com a ocasião. “Antes de mais, quero que a nossa equipa ganhe. Temos tudo o que uma boa equipa precisa, mas temos de continuar descontraídos. A pressão pode, por vezes, paralisar os jogadores, sobretudo quando há troféus em jogo. O desempate por penáltis contra a Letónia mostrou que estamos a aprender a controlar o stress.”
As memórias da final de 2024 continuam bem presentes para a Lituânia. Nessa ocasião, Mark Anders Lepik colocou a Estónia em vantagem, antes de Giedrius Matulevičius empatar, mas os estónios acabaram por vencer a partir da marca dos 11 metros. Jankauskas acredita que uma das maiores lições dessa derrota foi a incapacidade da Lituânia em controlar a posse de bola.
“Se deixarmos a Estónia jogar e não a colocarmos sob pressão, torna-se muito difícil. Há dois anos não controlámos o jogo com a bola e isso desiludiu-me tanto quanto o próprio resultado.”
A Estónia, por sua vez, quer tornar-se a primeira nação báltica a defender com sucesso o troféu desde que a Letónia venceu duas edições seguidas, em 2016 e 2018.
O selecionador Jürgen Henn confirmou que fará alterações no onze inicial, depois da exigente meia-final do ponto de vista físico, embora as lesões tenham reduzido as opções no ataque. Mark Anders Lepik sofreu uma lesão grave no joelho frente às Ilhas Faroé, enquanto Rauno Sappinen continua igualmente indisponível.
“Queremos trazer frescura e energia positiva para a equipa”, disse Henn. “Vamos, com certeza, fazer algumas mudanças.”
Apesar dessas ausências, a Estónia mantém-se confiante após a vitória sobre as Ilhas Faroé. Henn espera um desafio complicado da Lituânia, descrevendo-a como uma equipa agressiva, que gosta de pressionar alto e competir fisicamente.
A equipa técnica da Lituânia identificou os médios Kevor Palumets e Rocco Robert Shein como os jogadores-chave da Estónia. Jankauskas descreveu-os como os dois atletas que controlam o ritmo e a velocidade do jogo estónio, acrescentando que a batalha no meio-campo pode decidir o desfecho da final.
Historicamente, há muito pouco a separar as duas seleções. Estónia e Lituânia já se defrontaram 52 vezes, com a Estónia a ter uma ligeira vantagem de 22 vitórias contra 21 da Lituânia, enquanto nove partidas terminaram empatadas.
Enquanto o troféu está em jogo em Tallinn, a Letónia tentará salvar o terceiro lugar quando defrontar as Ilhas Faroé, em Riga. A equipa de Paolo Nicolato foi eliminada pela Lituânia nos penáltis, depois de Maksims Toņiševs ter marcado o seu primeiro golo internacional e o guarda-redes estreante Frenks Dāvids Orols ter defendido uma grande penalidade no desempate.
As equipas defrontaram-se duas vezes na campanha da UEFA Nations League de 2024, com a Letónia a ganhar por 1-0 em casa, antes de empatar 1-1 fora. Também se encontraram no jogo de atribuição do terceiro lugar da Taça Báltica há dois anos, quando Andrejs Cigaņiks marcou o único golo da vitória letã.