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title: "Džiaukštas dá o mote: «Žalgiris tem de voltar ao topo»"
date: 2026-03-21T13:37:37Z
lang: pt
author: "Ivo"
canonical: https://balticfootballnews.com/pt/dziaukstas-da-o-mote-zalgiris-tem-de-voltar-ao-topo/
categories: ["Entrevistas", "Toplyga"]
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# Džiaukštas dá o mote: «Žalgiris tem de voltar ao topo»
_por **Mantas Aliukonis**_

**Quando Rolandas Džiaukštas assumiu o comando do Vilnius Žalgiris no outono passado, encontrou um clube a sair de uma das épocas mais turbulentas da sua história recente. A campanha terminou com desilusão dentro e fora de campo, com instabilidade na gestão e exibições inconsistentes. A única nota realmente positiva foi que, sob o comando do novo treinador, a equipa conseguiu garantir um lugar na Europa e manter-se nas competições continentais.**

Agora, no arranque da temporada de 2026, o técnico de 47 anos, natural de Vilnius, disse ao _Baltic Football News_ que está focado em restaurar a identidade do clube – e o seu estatuto de campeão.

A preparação para a nova época já refletiu uma abordagem diferente. _«Neste inverno demos grande ênfase à preparação física dos jogadores»,_ explicou Džiaukštas, assinalando mudanças internas no clube, incluindo um novo médico e a chegada de um preparador físico. Depois de uma temporada marcada por lesões, esses ajustes são vistos como passos cruciais em frente.

A construção do plantel também levantou questões, sobretudo depois das dificuldades no recrutamento no ano passado e das preocupações persistentes com lesões e dinâmicas internas. O Žalgiris mostrou interesse em trazer de volta o antigo avançado Mathias Oyewusi durante o inverno, mas não foi possível chegar a acordo. _«Sim, era uma das nossas opções, estávamos realmente interessados, mas não conseguimos chegar a acordo»,_ admitiu Džiaukštas.

No que toca às oportunidades para os jovens, a sua posição é firme e sem cedências. _«Se provarem que merecem estar na equipa, terão a sua oportunidade – mas ninguém será integrado de forma artificial»,_ disse. Essa filosofia estende-se aos jogadores lituanos em geral, sobretudo aos que perderam espaço na temporada passada para reforços estrangeiros. _«Nenhum jovem lituano será promovido só porque sim. Mas se tiver de escolher entre dois jogadores do mesmo nível, escolherei o nosso lituano.»_

As decisões de recrutamento são tomadas em cooperação com o diretor desportivo, mas mesmo assim atrair jogadores nem sempre é fácil. _«O nível da liga pesa – temos de admitir que não é muito atrativa no contexto europeu. Os fatores financeiros também são importantes»,_ afirmou. Ainda assim, um princípio mantém-se inalterado: _«Qualquer jogador que chegue tem de provar que merece um lugar no onze inicial.»_

Equilibrar resultados com desenvolvimento de jogadores é possível, mas no Žalgiris as prioridades são claras. _«Tudo pode ser combinado, mas aqui o mais importante são os resultados»,_ frisou Džiaukštas. Ao mesmo tempo, reconhece o valor a longo prazo do desenvolvimento: _«Se um jogador se afirmar e puder ser vendido, trazendo valor ao clube – isso é algo a perseguir, especialmente no caso dos jogadores lituanos.»_

Ao refletir sobre as razões pelas quais os clubes lituanos ficam atrás dos seus congéneres da Letónia e da Estónia em transferências e recrutamento, Džiaukštas afastou a responsabilidade: _«Essa é mais uma questão para o diretor desportivo. O meu trabalho é preparar o jogador e torná-lo melhor.»_

Dentro de campo, a flexibilidade tática vai definir o Žalgiris esta temporada. «Haverá alguns ajustes, dependendo da forma como construirmos o plantel», disse. _«O nosso objetivo é estar no topo, e para isso é preciso atacar bem, defender com solidez e marcar golos.»_ Até agora, nesta temporada, o clube de Vilnius tem estado bem no capítulo dos golos marcados, enquanto evitar golos sofridos tem sido uma dificuldade, já que tem neste momento o quarto pior registo da liga nesse parâmetro, com seis sofridos em cinco jogos.

Olhando de forma mais abrangente para o futebol lituano, Džiaukštas rejeita a ideia de que o nível tenha caído de forma significativa. Em vez disso, aponta para tendências globais e para o peso crescente dos jogadores estrangeiros. _«Se queremos ser competitivos na Europa, isso é inevitável»,_ disse, observando que até os principais clubes europeus dependem fortemente de talento internacional.

Ao mesmo tempo, sublinhou a importância da formação e da difícil transição da academia para o futebol sénior. _«Um jovem jogador tem de superar essa barreira. Se não estiver preparado para jogar na Lituânia, será ainda mais difícil para ele no estrangeiro»,_ explicou. Na sua perspetiva, o futebol moderno exige polivalência, velocidade de pensamento e rapidez na tomada de decisão. _«É preciso pensar rápido, movimentar-se bem, soltar a bola no momento certo – e fazer tudo com rapidez e correção.»_

O próprio jogo evoluiu muito desde os seus tempos de jogador. _«O futebol tornou-se muito mais rápido. Os sistemas podem parecer os mesmos no papel, mas durante os jogos mudam constantemente»,_ disse. _«Se um jogador consegue correr de uma área à outra durante 90 minutos, será sempre valorizado. A intensidade hoje é muito maior.»_

O percurso de Džiaukštas como jogador moldou a sua visão. Estreou-se na principal divisão da Lituânia com apenas 17 anos e mais tarde tornou-se um defesa-chave da seleção nacional. Recorda com carinho o seu primeiro treinador, Vincas Kateiva_: «Era como um segundo pai. Muito daquilo que sou hoje vem dele.»_

A carreira de jogador, porém, terminou mais cedo do que esperava devido a uma lesão grave. _«Não terminei a carreira como tinha planeado. A vida arrumou as coisas de outra forma»,_ admitiu. _«Houve momentos em que estive completamente afastado do futebol. Mas hoje estou feliz onde estou.»_

Essa perspetiva também define a sua abordagem ao treino. A estabilidade por si só não é o objetivo. _«Não quero ficar num clube só para ficar o máximo de tempo possível. Quero trabalhar, dar tudo e ajudar a equipa a atingir os objetivos mais altos.»_

E esses objetivos são claros. Depois de um ano difícil, o Žalgiris aponta à reconquista do título – e, com Džiaukštas ao leme, a mensagem é simples: resultados em primeiro lugar, mas com estrutura, clareza e convicção.

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